segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Proposta de redação da semana: Produção de alimentos para a população mundial

Nesta semana, o Blog Redação Nota Mil traz uma proposta de redação que pretende trabalhar diversas habilidades na escrita. . Faça sua redação e nos envie para correção: redacaonotamil@gmail.com



Em nosso planeta a fome sempre esteve presente. Em alguns lugares uma alimentação abundante que termina em desperdício e em outros a escassez gerando fome. A população mundial vem crescendo em rítmo acelerado, e a produção de alimentos deve acompanhar esse movimento. Escreva um texto dissertativo- argumentativo de no máximo 30 linhas sobre o tema: " Fome: o que cada um pode fazer para combater esse mal universal."

Texto 1:

Crescimento populacional e o desafio da alimentação

O planeta já abriga 7 bilhões de pessoas. Alimentar tanta gente é possível, dizem os especialistas, mas é necessário aumentar a produtividade de solos e sementes. E comer menos carne também ajuda.

Colheita de trigo na Alemanha
A população do planeta cresce em 83 milhões de pessoas por ano: um pouco mais do que o total dos habitantes da Alemanha. Caso essa tendência se mantenha, em 2050 já haverá 9 bilhões de pessoas no mundo, e até o final do século serão mais de 10 bilhões.

Para saciá-las, seria necessário pelo menos duplicar, se não triplicar, a produção agrícola nos próximos 40 anos. Será possível alcançar essa meta com os recursos limitados de nosso planeta? Segundo o professor de agronomia Harald von Witzke, da Universidade Humboldt de Berlim, a resposta é "sim".

Mas um "sim" seguido de um "porém". O enorme crescimento da produção agrícola nas últimas décadas deve-se 80% ao aumento da produtividade. Apenas 20% são o resultado da ampliação das áreas agricultáveis. "No futuro, precisaremos investir ainda mais no aumento de produtividade para satisfazermos as crescentes necessidades humanas de alimento. O solo será, cada vez, um fator limitante para a produção de gêneros alimentícios", diz Von Witzke.

No momento, 40% da superfície terrestre são usados para a agricultura. Uma área de 16 milhões de quilômetros quadrados – o tamanho da América do Sul – é dedicada aos cereais; 30 milhões de quilômetros quadrados – a superfície da África – são pastos. Os melhores solos, os mais férteis, já são cultivados. Em diversas regiões não existem mais reservas de terra passíveis de utilização na produção de alimentos.

As nações em desenvolvimento são a exceção. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), nelas apenas um terço da superfície teoricamente agricultável é cultivada de fato. Entretanto, até mesmo por questões de proteção ao clima global, não se pode considerar a transformação de florestas e mangues tropicais em áreas de cultivo.

Fator fundamental: a água

A superpopulação do planeta é um problema já hoje
A alternativa que fica é o aumento da produtividade – uma alternativa, no entanto, comprometida e freada por diversos fatores. Em primeiro lugar encontram-se os dois elementos encarecedores água e energia. A agricultura consome as maiores quantidades de água em todo o mundo.

Previsivelmente, a escassez do ouro azul deverá ser o tema central dos próximos anos, observa o vice-diretor geral da FAO, Alexander Müller. "Estudamos a distribuição da água pela superfície terrestre e constatamos que a falta de água será mais grave nas zonas com maior crescimento demográfico." Isso significa que, justamente nos países em que a produção de alimentos precisa aumentar, faltam os requisitos básicos.

Uma das fórmulas para a solução é "eficiência", como propõe o estudo da equipe internacional de pesquisa da Universidade de Minnesota encabeçada por Jonathan Foley. No futuro, só as terras que realmente valem a pena devem ser irrigadas e fertilizadas. Por exemplo, em territórios áridos não deveriam mais ser cultivadas plantas que necessitem muita água.

No tocante à fertilização, pesquisas demonstraram que a metade dos adubos empregados em todo o mundo simplesmente acaba penetrando solo adentro, em vez de nutrir as plantas. Um desperdício que também acarretou a duplicação das taxas de fósforo e nitrato no meio ambiente, o que, por sua vez, causa a poluição da água: um círculo vicioso que deve ser rompido a todo custo.

Para elevar a atual produtividade, são necessárias, acima de tudo, melhores espécies vegetais e melhores métodos de plantio. Segundo o estudo de Minnesota, com isso já seria possível aumentar em 60% a produção global de alimentos.

"Melhores espécies" significa, por um lado, cereais e verduras especialmente produtivos e resistentes às condições climáticas rigorosas. Por outro lado, cabe elevar o potencial nutritivo desses vegetais, pois já hoje a carência alimentar é um problema. Leguminosas contendo mais ferro, painço com mais zinco, batatas, milho e arroz com maior quantidade de provitamina A: isso poderia ser alcançado pelo desenvolvimento de novos cultivares ou também pela engenharia genética.

O problema da carne

Soldados franceses entregam alimentos em Ruanda, durante a guerra civil do país
Seria mais fácil assegurar a alimentação no mundo se menos gente consumisse carne e outros produtos animais. Pois os animais precisam ser nutridos, e a produção de suas rações concorre com o cultivo de alimentos para a população humana – da mesma forma que com o plantio de vegetais para a produção de biocombustíveis.

Porém é ilusório esperar que ocorra uma renúncia aos produtos de origem animal: a tendência é, antes, o aumento de seu consumo. Assim, os cientistas pleiteiam que, no futuro, os solos mais férteis sejam reservados ao cultivo de gêneros alimentícios básicos. Sobretudo na América Latina, na África e no Leste Europeu há solos excelentes, cujas safras podem ser elevadas significativamente – enquanto as produções de rações e bioenergia devem ser relegadas aos campos restantes.

Novos desafios estruturais

No futuro, os efeitos da produção de mais carne, ovos e laticínios também se farão sentir sobre o clima. Atualmente, 30% das emissões de gases-estufa provêm da atividade agrícola. Sabe-se que o aumento de CO2 e metano na atmosfera atingirá especialmente as regiões do planeta com maior crescimento demográfico: são os países emergentes e os mais pobres que enfrentarão ainda mais secas, enchentes e outras catástrofes naturais.

Segundo Alexander Müller, da FAO, essa situação colocará a questão da alimentação no mundo diante de novos e graves problemas estruturais. "Todo debate sobre a alimentação no mundo precisa se ocupar com os novos focos de demanda, que estão nos países emergentes, nas regiões urbanas e nas nações cujo desenvolvimento econômico permite que apenas parte de seu potencial de demanda chegue aos mercados."

Em outras palavras: quase todos esses lugares são importadores de gêneros alimentícios, mas em geral não possuem o dinheiro necessário para comprá-los em volume suficiente no mercado mundial. O agrônomo Harald von Witzke também acentua esse fato: "O que agrava ainda mais o estado das coisas é o fato de esses países só disporem de sistemas rudimentares de pesquisa agronômica, de forma que é muito difícil para seus agricultores se adaptarem à mudança climática global".

Mais pesquisa e cooperação

Consumo de carne agrava problema mundial de alimentação
Segundo os especialistas, esse quadro precisa mudar: pesquisa agrícola e uma política agrária direcionadas, assim como a ênfase na agricultura também no campo da ajuda ao desenvolvimento, poderão melhorar significativamente a situação. Enquanto em 1980 a parcela da agricultura na cooperação para o desenvolvimento era de 19%, em 2007 ela não passava de 3,5%.

Nos países pobres, falta aconselhamento para métodos de cultivo mais eficientes, formação profissional, créditos mais acessíveis, boas sementes e informações sobre as possibilidades de comercialização. O resultado é que quase a metade de todas as safras nesses países se perde devido ao combate ineficiente às pragas, a formas erradas de colheita, a problemas no transporte e na armazenagem. Também faltam informações de como comercializar melhor a produção.

Outro problema são os numerosos conflitos. Se os países não são capazes de aproveitar seu potencial agrícola devido a guerras civis e má governança, é impossível esperar que apresentem avanços agrícolas e maiores safras.

Quantas pessoas o planeta pode nutrir? Num ponto, todos os peritos são unânimes; não existe nem jamais existirá uma receita pronta para assegurar o abastecimento do mundo. Os recursos do planeta poderiam alimentar também 10 bilhões de habitantes, se necessário. Contudo, essa equação global provavelmente nunca fechará, pois a população mundial cresce mais justamente onde a situação de alimentação hoje já é mais precária.

Autoria: Sabine Kinkartz (av)
Revisão: Roselaine Wandscheer
Fonte: http://www.dw.de/crescimento-populacional-e-o-desafio-da-alimenta%C3%A7%C3%A3o/a-15486766
Texto 2
Fonte: http://www.portalescolar.net/2011/07/biologia-producao-de-alimentos-no-mundo.html

Texto 3

fONTE: http://www.ib.usp.br/evosite/history/humanecol.shtml


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Proposta de redação da semana : Geração " nem-nem"

Segue mais uma proposta de redação para você treinar e nos enviar para correção.

Não se esqueça de enviar-nos o aquivo em Word. 

E-mail: redacaonotamil@gmail.com

A geração "nem-nem"

Desenvolva um texto dissertativo-argumentativo , com o mínimo de 20 e o máximo de 30 linhas sobre o tema: O desafio da inclusão social juvenial na escola e no mercado de trabalho.

A GERAÇÃO 'NEM-NEM'
Um em cada cinco brasileiros entre 18 e 25 anos não trabalha nem estuda. É a chamada "geração nem-nem", dimensionada em estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Esses jovens são vítimas de um "desalento estrutural", como analisou Fernando de Holanda Filho, professor da Fundação Getúlio Vargas, ao jornal O Globo (16/9). Ou seja: são pessoas que desistiram de procurar trabalho, porque não têm quase nenhuma qualificação, e tampouco querem voltar a estudar, porque não se sentem atraídas pela escola.
No total, há 5,3 milhões de jovens que não trabalham nem estudam, indica a pesquisa coordenada pelo professor Adalberto Cardoso. Se fossem computados os jovens que ainda procuram alguma ocupação, o número saltaria para 7,2 milhões. Num país com cenário de baixo desemprego e economia em expansão (em 2010, ano em que os números usados na pesquisa foram colhidos, o PIB cresceu 7,5%), isso significa que uma parcela importante dos brasileiros não está participando do desenvolvimento experimentado nos últimos anos. Uma vez sem perspectiva, alguns deles podem cair na criminalidade.
As mulheres, principalmente em razão da maternidade, são maioria nesse grupo - elas somam 3,5 milhões, e os homens, 1,8 milhão -, o que inclui a desigualdade de gênero na equação. O impacto também é maior entre os mais pobres. Na parcela da população com renda per capita de até R$ 77,75, a geração "nem-nem" chega a 46,2%. E é notável a disparidade regional: no Norte e no Nordeste, a incidência passa dos 25%, contra 13% no Sul e 16,8% no Sudeste.
Os países ricos também têm seus "nem-nem", mas o motivo é a recessão persistente, que inexiste no Brasil. Entre os 34 integrantes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a média dos jovens que se encontram nessa situação é de 15,8% - contabilizando-se os que ainda procuram emprego e se considerando que a faixa etária usada como critério é mais larga, de 15 a 29 anos.
A OCDE afirma, no entanto, que a situação dos "nem-nem" na maioria dos países estudados é transitória e que os motivos variam de lugar para lugar, incluindo-se aí questões culturais - o que explica, por exemplo, que 77% das jovens mexicanas nem trabalhem fora de casa nem estudem, preferindo dedicar-se à formação da família.
As eventuais dificuldades econômicas dos países integrantes da OCDE - que incluem potências como Estados Unidos e Grã-Bretanha e também emergentes como Turquia e México - não impediram que o investimento em educação fosse não apenas mantido, como, em alguns casos, experimentasse sensível ampliação. Como mostra o mais recente estudo da organização, o Education at a Glance 2012, isso aconteceu com pelo menos 24 dos 34 membros durante os anos de 2008 e 2009, que foram de forte crise e recessão. Segundo a OCDE, tal cenário se explica pela conclusão generalizada de que apostar em educação traz benefícios tanto para os indivíduos quanto para a sociedade, ainda mais em tempos de dificuldades econômicas. Em 2008, um homem com instrução superior nos países da OCDE ganhou, em média, 58% mais do que aquele que possuísse apenas nível secundário. Em 2010, esse porcentual subiu para 67%.
Tal perspectiva é semelhante no Brasil, mas, ao que parece, uma parte considerável dos jovens brasileiros não consegue enxergar essa oportunidade, quer por desinformação, quer porque não se sente estimulada a enfrentar a rotina de estudos em escolas de baixa qualidade. Trata-se de um indicativo de que o crescimento econômico brasileiro pode ter seus problemas agravados no futuro próximo, porque é essa geração que terá de enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais exigente. Portanto, a escassez de mão de obra com um mínimo de competência técnica, que é um dos entraves crônicos do desenvolvimento no Brasil, tende a se acentuar - a não ser que haja uma virada drástica e imediata no sistema educacional, de modo a atrair novamente essa massa de jovens para os estudos e a especialização, fazendo-os perceber que a educação pode significar um futuro melhor.
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,a-geracao-nem-nem-imp-,935944

Texto 2




http://objetivoatualidades.blogspot.com.br/2014/05/aula-13-geracao-nem-nem.html

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Complemento nominal x adjunto adnominal

A dúvida é frequente: " É complemento nominal ou adjunto adnominal?"

Para clarear os conceitos desses termos, seguem algumas dicas:

Complemento nominal: termo integrante da oração, referente a substantivo, adjetivo ou advérbio, que completa o sentido de um nome.

Adjunto adnominal: Ao núcleo substantivo , qualquer que seja a função deste, pode juntar-se um termo de valor adjetivo, para acrescentar-lhe um dado novo à significação.

1ª diferença: O adjunto adnominal só se refere a substantivos ( tanto concretos como abstratos)
                    O complemento nominal refere-se a substantivos ( só abstratos), a adjetivos e a advérbios.

2ª diferença: O adjunto adnominal pratica a ação expressa pelo nome a que se refere.
                    O complemento nominal recebe a ação expressa pelo nome a que se refere.

3ª diferença: O adjunto adnominal pode indicar posse.
                     O complemento nominal nunca indica posse.

Referências: LIMA, Rocha. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. 25ª Ed. Rio de Janeiro: José Olímpio Editora, 1972.

AMARANTE, Eliana. Apostila Gramática Tradicional . UFMG

    



quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Uso da vírgula

 Usa-se a vírgula:
1)     Para separar os termos da mesma função, assindéticos.
Exemplos: “(...) vieram os Goncourts, os Daudets, os Baudelaires, os Banvilies, os Zolas, os impressionistas, os naturalistas, os realistas, os simbolistas... imaginando, forjando, engendrando, importando, amalgamando, tumultuando, carreando, golfando para o vocabulário, para a sintaxe, para a rua, para as letras, para a especulação, para o trabalho, para a vida uma torrente de formas inesperadas, cambiantes, revolucionárias...” (RUI BARBOSA)
 “Era o nada, a eversão do caos no cataclismo, A síncope do som no páramo profundo, O silêncio, a algidez, o vácuo, o horror do abismo....” (OLAVO BILAC)
Nota: Havendo a conjunção e entre os dois últimos termos, suprime-se a vírgula:
Sem pressa, sem pesar, sem alegria, Sem alma, o tecelão, que cabeceia, Carda, retorce, estira, asseda, fia, Dobra e entrelaça, na infindável teia.” (OLAVO BILAC)
2)     Para isolar o vocativo: “Deixe-me, senhora.” (MACHADO DE Assis)
“Ó meu Amor, que já morreste, Ó meu Amor, que morta estás! Lá nessa cova a que desceste, O meu Amor, que já morreste, Ah! nunca mais florescerás?!” (CRUZ E Souza)
“Varrei os mares, tufão!...” (CASTRO ALVES)
3)     Para isolar o aposto:
 “Matias, cônego honorário e pregador efetivo, estava compondo um sermão...” (MACHADO DE Assis)
 “Dou-te meu coração irreverente, Meus penachos de Cid, o Campeador...” (José OITICICA)
4) Para assinalar a inversão dos adjuntos adverbiais:
 “Por impulso instantâneo, todo o ajuntamento se pôs de pé. (REBELO DA SILVA)
Nota: Aliás, sendo o adjunto adverbial de pouca longura, expresso, por exemplo, um simples advérbio, pode dispensar-se a vírgula.
5)     Para marcar a supressão do verbo:
“Uma flor, o Quincas Borba.” (MACHADO DE Assis)
“Eu sou empregado público: Tu, minha noiva bem cedo. Eu sou Artur Azevedo; Tu és Carlota Morais.” (ARTUR AZEVEDO)
6) Nas datas:
“Milão, 9 de março de 1909.” “Rio, 1 de junho de 1902.” “31, janeiro, 1902.” “Rio, 2-4-904.”
Nota: Os três primeiros exemplos são de OLAVO BILAC, e o último de Euclides da Cunha. Todos, de cartas a Coelho Neto. Observe-se que, invariavelmente, os nomes dos meses (março, junho, janeiro) estão grafados com letra minúscula. Tais cartas, primorosos modelos de epistolografia brasileira, estão publicadas na íntegra, no Manual de estilo, do professor José Oiticica (pp. 187 a 200).
7) Nas construções em que o complemento do verbo, por vir anteposto a este, é repetido depois dele por um pronome enfático:
“Arquiteto do mosteiro de Santa Maria, já o não sou.” (ALEXANDRE HERCULANO) “Ao pobre, não lhe devo. Ao rico, não lhe peço.” (RODRIGUES Lono)
8) Para isolar certas palavras e expressões explicativas, corretivas, continuativas, conclusivas, tais como:
por exemplo, além disso, isto é, a saber, aliás, digo, minto, melhor, ou antes, outrossim, demais, entretanto, com efeito, etc
9) Para isolar orações ou termos intercalados:
“A mim me parece, tornou Leonardo, que os títulos é cousa Conveniente e necessária.” ( RODRIGUES LOBO)
Nota: Se for muito longa a intercalação, ou quisermos dar relevo à palavra, expressão ou oração intercalada, poderemos usar o travessão: ‘Vi a ciência desertar do Egito... Vi meu povo seguir - Judeu maldito - Trilho de perdição...” (CASTRO ALVES)
Pode usar-se, ainda, os parênteses, e não a vírgula, quando a palavra, expressão ou oração intercalada figurar sem relação sintática com o resto, fora do fio principal do discurso, à maneira de um esclarecimento ou observação suplementar.
 Exemplos: ‘Pouco depois de transpor o portão da lúgubre morada, veio a mim um amigo vestido de preto, que me apertou a mão. Tinha ido visitar os restos da esposa (uma santa!), suspirou e concluiu: - Que há de novo?” (MACHADO DE ASSIS)
“É o fim (rola o trovão...) da miseranda sorte...” (OLAVO BILAC)
10) Para separar as orações coordenadas assindéticas:
 “Há sol, há muito sol, há um dilúvio de sol.” (HERMES FONTES)
“Não aquieta o pó, nem pode estar quedo; anda, corre, voa; entra por esta rua, sai por aquela; já vai adiante, já torna atrás; tudo enche, tudo cobre, tudo envolve, tudo perturba, tudo toma, tudo cega, tudo penetra...” (VIEIRA)
11) Para separar as orações coordenadas ligadas pela conjunção e, quando os sujeitos forem diferentes:
“Aires Gomes estendeu o mosquete sobre o precipício, e um tiro saudou o ocaso.” (JOSÉ DE ALENCAR)
“Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se.” (MACHADO DE ASSIS)
Nota: Para acentuar, numa enumeração, o vulto das coisas enumeradas, é lícito empregar repetidamente a conjunção e. Neste caso, as várias palavras, expressões ou orações, são separadas por vírgulas, apesar da presença do e.
Exemplos: “Seca a terra aparece, e nela é tudo Informe, e rude, e solitário, e mudo.” (J. A. DE MACEDO)
‘E eu morrendo! e eu morrendo, Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo Tão bela palpitar nos teus olhos, querida, A delícia da vida! a delícia da vida!” (OLAVO BILAC)
12) Para separar as orações coordenadas ligadas pelas conjunções : mas, senão, que, pois, porque, ou pelas alternativas: ou... ou;
ora.., ora,’ quer... quer, etc. 

“Não és filha, mas hóspeda da Terra!” (OLAVO BILAC) 461
“Não se deve julgar o homem por uma só ação, senão por tas.” (CARNEIRO RIBEIRO) “Fiquem-se com o Senhor, que eu vou-me.” (CASTILHO)
“Ou o conhece, ou não.” (VIEIRA)
Nota: Quanto à conjunção mas, se for muito frisante o sentido adversativo,
pode-se usar o ponto e vírgula.
Exemplo: Defenda-se; mas não se vingue.” (JOSÉ OITICICA)
13) Para isolar as conjunções adversativas porém, todavia, entretanto,
no entanto, contudo; e as conjunções conclusivas: logo, pois, portanto, "Contudo, ao sair de lá, tive umas sombras de dúvida..." (MACHADO DE Assis)
“Nada diminuía, portanto, as probabilidades do perigo e a poesia da luta.” (REBELO DA SILVA)
14) Para separar as orações consecutivas:
 Exemplo: “(...) e o fulgor das pupilas negras fuzilava tão vivo e por vezes tão recobrado, que se tornava irresistível.” (REBELO DA SILVA)
15) Para separar as orações subordinadas adverbiais (iniciadas pelas conjunções subordinativas não-integrantes), quer antepostas, quer postas à principal.
Exemplos: “Juro que ela sentiu certo alívio, quando os nossos olhos se encontraram...” (MACHADO DE ASSIS)
 “Enquanto o senhor escarneceu o feitio das minhas botas, e no seu ofício e no seu direito. Das botas acima, não.” (CAMILO CASTELO BRANCO)
16) Para separar os adjetivos e as orações adjetivas de sentido explicativo, ou, como lhes chama o professor José Oiticica, orações adjetivas e adjetivos parentéticos.
“É indispensável, nesse caso, distinguir se a oração é mesmo parentética ou meramente determinativa. A oração parentética, em por seus característicos de forma e posição seja adjetiva, tem, no sentido, algo de adverbial, apontando vagamente a causa, a concessão, a condição.
 “Exemplos: A cabroeira, alucinada, gritava atrozmente (isto é: porque estava alucinada). A ele, que é o decano da corporação, nenhum preito lhe renderam (isto é: apesar de ser o decano da corporação...). “O critério para verificar isto é tentar a inversão. A oração parentética pode ser anteposta ao substantivo a que se prende; a determinativa, nunca. Assim, temos: - Alucinada, a cabroeira gritava atrozmente. - Decano da corporação, nenhum preito lhe renderam.” *
17) Para separar as orações reduzidas de gerúndio, particípio e infinitivo.
 Exemplos: “Lactescente, a neblina oplica flutua, Diluindo, evaporando os montes de granito, Em colossos de sonho, extasiados de lua...” (GUERRA JUNQUEIRO) “Puma! ao fim da Renúncia e ao fim da Caridade Chegaste, estrangulando a tua humanidade.” (OLAVO BILAC)
“A brisa, roçando as grimpas da floresta, traz um débil sussurro...” (JOSÉ DE ALENCAR) “Caindo o sol, a costureira dobrou a costura para o dia seguinte...” (MACHADO DE Assis) “Satisfeita a sede... e comidas umas colheres de farinha de mandioca ou de milho..., estira-se a fio comprido sobre os arreios desdobrados...” (VISCONDE DE TAUNAY)

“Pera servir-vos, braço às armas feito; Pera cantar-vos, mente às Musas dada...” (CAMÕES) 

Texto retirado da Grámatica Normativa da Língua Portuguesa , do Professor Rocha Lima. 


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Proposta de tema da semana

Hoje é dia de Proposta de tema de redação!

Gostaríamos de ressaltar, que não temos a pretensão de acertar o tema que será cobrado pelo ENEM. Porém, mesmo que nenhum desses temas seja o tema de sua prova, é importante o treino para a produção dos textos.

Envie seu texto para correção: redacaonotamil@gmail.com

Segue o tema da semana:


É notável o crescente número de jovens brasileiros que consomem álcool. Estes adolescentes fazem o consumo cada vez mais cedo e isso se torna um grande problema para o próprio jovem, para a família e para a sociedade. Pensando sobre isso, escreva uma redação sobre o tema: “Consumo de álcool na adolescência: um problema social.”.

Texto 1

Alcoolismo nunca foi problema exclusivo dos adultos. Pode também acometer os adolescentes. Hoje, no Brasil, causa grande preocupação o fato de os jovens começarem a beber cada vez mais cedo e as meninas, a beber tanto ou mais que os meninos. Pior, ainda, é que certamente parte deles conviverá com a dependência do álcool no futuro.
Para essa reviravolta em relação ao uso de álcool entre os adolescentes, que ocorreu bruscamente de uma geração para outra, concorreram diversos fatores de risco. O primeiro é que o consumo de bebida alcoólica é aceito e até estimulado pela sociedade. Pais que entram em pânico quando descobrem que o filho ou a filha fumou maconha ou tomou um comprimido de ecstasy numa festa, acham normal que eles bebam porque, afinal, todos bebem.
Sem desprezar os fatores genéticos e emocionais que influem no consumo da bebida – o álcool reduz o nível de ansiedade e algumas pessoas estão mais propensas a desenvolver alcoolismo –, a pressão do grupo de amigos, o sentimento de onipotência próprio da juventude, o custo baixo da bebida, a falta de controle na oferta e consumo dos produtos que contêm álcool, a ausência de limites sociais colaboram para que o primeiro contato com a bebida ocorra cada vez mais cedo.
Não é raro o problema começar em casa, com a hesitação paterna na hora de permitir ou não que o adolescente faça uso do álcool ou com o mau exemplo que alguns pais dão vangloriando-se de serem capazes de beber uma garrafa de uísque ou dez cervejas num final de semana.
Não se pode esquecer de que, em qualquer quantidade, o álcool é uma substância tóxica e que o metabolismo das pessoas mais jovens faz com que seus efeitos sejam potencializados. Não se pode esquecer também de que ele é responsável pelo aumento do número de acidentes e atos de violência, muitos deles fatais, a que se expõem os usuários.
Proibir apenas que os adolescentes bebam não adianta. É preciso conversar com eles, expor-lhes a preocupação com sua saúde e segurança e deixar claro que não há acordo possível quanto ao uso e abuso do álcool, dentro ou fora de casa.
Fonte: http://drauziovarella.com.br/dependencia-quimica/alcoolismo-na-adolescencia/  - Fragmento - Acessado em 20/08/2014

Texto 2


Fonte: http://www.luciafaria.com.br/campanha-da-adag-alerta-pais-e-jovens-sobre-riscos-do-consumo-de-alcool-por-menores/ Acessado em 20/08/2014


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Proposta de tema: Bullying nas escolas: como combater esse mal?

Segue uma proposta de tema para a redação de vestibulares.

Enviem os textos para correção: redacaonotamil@gmail.com


O bullying é um problema a ser enfrentado pelas escolas e famílias. Crianças e adolescentes sofrem e praticam tal ato com frequência, o que pode acarretar sérios traumas que perduram por muitos anos. Abordando tal assunto, escreva um texto dissertativo- argumentativo de no máximo 30 linhas sobre o tema: Bullying nas escolas: como combater esse mal?

Texto 1

O termo BULLYING compreende todas as formas de maneiras agressivas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivo evidente e são tomadas por um ou mais estudantes contra outro, causando traumas, e são executadas dentro de uma relação desigual de poder. A prática de atos agressivos e humilhantes de um grupo de estudantes contra um colega, sem motivo aparente é conhecida mundialmente como bullying e bully significa brigão, valentão. O BULLYING é um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola. Os que praticam o BULLYING têm grande perspectiva de se tornarem adultos com comportamentos antissociais e violentos, podendo vir a adotar, inclusive, atitudes delituosas ou delinquentes. 
Acessado em 13/08/2014


Texto 2


As formas de bullying são:
•           Verbal (insultar, ofender, falar mal, colocar apelidos pejorativos, “zoar”).
•           Física e material (bater, empurrar, beliscar, roubar, furtar ou destruir pertences da vítima).
•           Psicológica e moral (humilhar, excluir, discriminar, chantagear, intimidar, difamar).
•           Sexual (abusar, violentar, assediar, insinuar).
•           Virtual ou Cyberbullying (bullying realizado por meio de ferramentas tecnológicas:
celulares, filmadoras, internet etc.)
Estudos revelam um pequeno predomínio dos meninos sobre as meninas. No entanto, por
serem mais agressivos e utilizarem a força física, as atitudes dos meninos são mais visíveis.
Já as meninas costumam praticar bullying mais na base de intrigas, fofocas e isolamento
das colegas. Podem, com isso, passar despercebidas, tanto na escola quanto no ambiente
doméstico.

Texto 3:



http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfegAAI/bullying-na-escola-violencia-mascarada

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Proposta de tema da semana

A proposta de tema da semana, além da finalidade da escrita do texto, é para fazer refletir sobre o comportamento dos seres humanos perante os elementos da natureza. Já falamos sobre a água, o lixo, e agora falaremos sobre os animais.

Leia com atenção os textos de apoio, interprete bem o tema e envie sua redação para correção para o e-mail: redacaonotamil@gmail.com

Bons estudos!

Em 2013, ativistas invadiram uma empresa em São Paulo, resgatando vários cães da raça beagle, além de coelhos, por acreditarem que os animais estavam sofrendo maus tratos.  Os testes realizados em animais dividem opiniões e argumentos. Escreva um texto de no máximo 30 linhas e no mínimo 20, sobre o tema:

  O limite da utilização dos recursos da natureza a favor do homem.  

Texto 1

Argumentos a favor e contra o uso de animais em pesquisas científicas

Nesta sexta-feira (19), ativistas invadiram um laboratório de pesquisas científicas e levaram 178 cães da raça beagle, além de sete coelhos por conta de supostos maus-tratos O G1 ouviu cientistas e resumiu abaixo os principais argumentos usados no debate sobre o uso de animais em experimentos científicos.

 

Uso de animais em testes

Contra

• Testes em laboratórios causam sofrimento, ferimentos e transtornos psicológicos nos animais. Há uma corrente de neurocientistas que sugere que animais não humanos, incluindo todos os mamíferos, aves, além dos polvos, possuem substratos neurológicos que geram a consciência e comportamentos intencionais, ou seja, eles sentem dor

 

A favor


• Os testes com animais são submetidos a comitês de ética. A principal ênfase é não causar sofrimento ou dor. O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) cria normas que protegem o bem-estar desses animais. O fim do uso de animais em testes no Brasil tornaria a ciência brasileira dependente da tecnologia externa

Animais em benefício dos homens

Contra

• É justo os animais sofrerem com os testes para a obtenção de medicamentos e produtos que beneficiarão o homem? Isso não é uma forma de exploração?

A favor


• Os testes com animais beneficiam também os próprios animais, pois são usados no desenvolvimento de rações, vacinas e medicamentos veterinários

Resultados em animais x resultados em humanos

Contra

• Nem sempre os resultados obtidos em animais são os mesmos obtidos posteriormente em humanos. Sendo assim, não seria melhor testar os produtos diretamente nos humanos?

A favor


• Antes de testar o produto em humanos, é importante testá-los em animais para evitar que voluntários humanos sejam submetidos a substâncias potencialmente perigosas

Métodos alternativos

Contra

• Há alternativas capazes de substituir o uso de animais em testes como a aplicação de modelos matemáticos e computacionais, técnicas in-vitro com tecidos de seres humanos ou animais

A favor


• Ainda não há como substituir o animal em todos os testes. Sempre que existir um método alternativo com eficácia comprovada, ele deve ser substituído. A ciência tem o objetivo de reduzir e até abolir o uso de animais



 


Texto 2



( Acessado em 07/08/2014)